HOME > BLOG Pesquisadoras do Laboratório de Biologia Molecular e Genética HJ comentam sobre o impacto de vírus "adormecido" nos casos graves de COVID-19

Reativação viral promove casos graves de COVID-19

17/06/2021Genética
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Recentemente, foi observada a reativação de HERV-K (HML-2) em pacientes portadores de COVID-19, que foi associada a casos mais graves da doença. Em um estudo preliminar publicado no Portal Fiocruz, os pesquisadores avaliaram a expressão de proteínas virais com eventos que promovem o agravamento da COVID-19: processo inflamatório sistêmico e coagulopatia e verificaram que os pacientes que evoluíram para óbito, normalmente apresentavam níveis elevados de proteínas do HERV-K (HML-2).

Em nosso genoma, foram identificadas sequências de elementos de DNA transponíveis oriundos de retrovírus endógenos humanos (HERVs). Alguns estudos relatam que ambos os genomas co-evoluíram e que os elementos virais sofreram deleções, mutações e recombinações, embora alguns desses vírus tenham permanecido preservados, os mais conservados são os do subgrupo HERV-K (HML-2). Esses elementos aparecem reativados no desenvolvimento embrionário e em algumas doenças.

A interação entre os genomas pode ser observada na embriogênese humana. As proteínas de envelope viral têm como função mediar a fusão do vírus com a membrana da célula hospedeira, bem como induzir imunossupressão, a fim de possibilitar a infecção viral e o escape do sistema imune. No caso do HERV-K (HML-2), as proteínas HERV-W e HERV-FRD (denominadas syncytin-1 e -2), são expressas na placenta humana, induzindo a formação do sinciciotrofoblasto, além disso, essas proteínas possibilitam a indução de tolerância imunológica na placenta, o que evita a rejeição do feto.

Na fase adulta essas proteínas virais são silenciadas nos tecidos normais devido a eventos epigenéticos, entretanto, a reativação dessas proteínas pode ser vista em doenças autoimunes, como esclerose múltipla e artrite reumatoide. Ensaios sorológicos e moleculares mostraram um aumento significativo da expressão de HERV-K gag em pacientes portadores de artrite reumatoide, quando comparados com portadores de outras doenças inflamatórias e com indivíduos saudáveis.

Vale destacar que as proteínas do core e do envelope viral também são expressas em níveis elevados em tumores de células germinativas, melanomas e em câncer de ovário, o que possibilita a utilização dessas moléculas como marcadores tumorais, inclusive para fins de diagnóstico.

Nesse contexto, a medicina preventiva se torna cada dia mais apoiada no conhecimento do genoma humano, no qual o rastreamento de características genéticas possivelmente associadas a agravos pode permitir intervenções precoces, aumentando as chances de tratamento eficaz e cura do paciente. No Hospital Haroldo Juaçaba oferecemos consultas de aconselhamento genético e mais de 50 tipos de exames genéticos com o intuito de diagnosticar precocemente diversas doenças, possibilitando altas chances de cura, promovendo exames mais assertivos, acompanhamento apropriado para cada pessoa e tratamentos personalizados.


Dra. Isabelle Joyce de Lima Silva Fernandes, coordenadora de projetos do Laboratório de Biologia Molecular e Genética HJ

 

Dra. Maria Cláudia dos Santos Luciano,

Pesquisadora Assistente do Laboratório de Biologia Molecular e Genética HJ

 

Dra. Valeska Portela Lima, técnica do Laboratório de Biologia Molecular e Genética HJ

 

 


 

 

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